quinta-feira, 31 de março de 2011

Globalização, multiculturalismo e preconceito

Olá, pessoal!

Aproveitando as infelizes declarações dadas essa semana pelo deputado Jair Bolsonaro do Partido Progressista, resolvi escrever sobre alguns temas que de certa forma estão intimamente relacionados: globalização, multiculturalismo e preconceito.


O Multiculturalismo é sobretudo a existência de muita culturas em uma mesma sociedade ou organização. Segundo MOORE & LEWIS (2000), as primeiras organizações multiculturais surgiram em Ashur, capital do domínio assírio, entre os anos 2000 a.C. e 1700 a.C., quando algumas de suas "empresas" abriram subsidiárias na Babilônia, Síria e no norte do atual Iraque.

Obviamente que, desta forma, percebemos a ligação entre Multiculturalismo e Globalização. Quanto menos "fronteiras" o mundo possui, mais multicultural ele se torna.

Não é fácil a adapação a outras culturas e povos.  Li recentemente que o Internacional de Porto Alegre contrata diversos jogadores argentinos para que haja fácil adaptação destes ao nosso país. Essa prática já havia sido pensada pelo Boca Junior com jogadores colombianos.

Poderia encher o texto de definições e teorias visto que li diversos artigos e já escrevi alguns trabalhos sobre Multiculturalismo, mas o objetivo deste texto é mostrar a consequencia do despreparo das sociedades e ornanizações a este fenômemo sem volta: racismo, homofobia e bullying.

O despreparo às diferenças culturais é tão grande que por causa dela o mundo começou a perder o seu velho senso de humor e razão. Já não sabemos mais distinguir a linha tênue que divide humor, arte e preconceito.

Um exemplo recente é o processo que o livro Tintim no Congo, escrito em 1931 por Hergé, está respondendo por racismo e colonialismo, a partir de acusação do contador congolês Bienvenu Mboto Mondondo.

Outro exemplo são os casos de racismo no futebol, com o lançamento de bananas para os jogadores brasileiros Roberto Carlos e Neymar. Aliás, o racismo no futebol é um problema antigo. Um caso emblemático é o da seleção holandesa notadamente divida entre negros e brancos. Estes últimos, representados publicamente pelo goleiro Edwin van der Sar.

Os casos de bullying também tem aparecido com frequencia nos noticiários. O pouco tempo e atenção dos pais tem transformado seus filhos diariamente em vítimas e vilões. 


As sociedades precisam definitivamente preparar seus filhos para a diversidade multicultural. Para que o humor negro perdure e o preconceito se extingua. Para que os homossexuais tenham os mesmos direitos civis que nós heterossexuais. Para que tenhamos mais negros em cargos elevados e altas patentes militares. Para que os mulçumanos tenham o mesmo tratamento dos cristãos nos países ocidentais.

Como escreveu Neil Peart,  "Quick to judge, quick to anger, slow to understand.  Ignorance and prejudice, and fear walk hand in hand...".

Enfim, deixo para finalizar a letra de Disneylândia dos Titãs:


"Filho de imigrantes russos casado na Argentina
Com uma pintora judia,
Casou-se pela segunda vez
Com uma princesa africana no México

Música hindú contrabandiada por ciganos poloneses faz sucesso
No interior da Bolívia zebras africanas
E cangurus australianos no zoológico de Londres.
Múmias egípcias e artefatos íncas no museu de Nova York

Lanternas japonesas e chicletes americanos
Nos bazares coreanos de São Paulo.
Imagens de um vulcão nas Filipinas
Passam na rede dc televisão em Moçambique

Armênios naturalizados no Chile
Procuram familiares na Etiópia,
Casas pré-fabricadas canadenses
Feitas com madeira colombiana
Multinacionais japonesas
Instalam empresas em Hong-Kong
E produzem com matéria prima brasileira
Para competir no mercado americano

Literatura grega adaptada
Para crianças chinesas da comunidade européia.
Relógios suiços falsificados no Paraguay
Vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.
Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe
Na baixada fluminense

Filmes italianos dublados em inglês
Com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia
Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné

Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.
Pizza italiana alimenta italianos na Itália

Crianças iraquianas fugidas da guerra
Não obtém visto no consulado americano do Egito
Para entrarem na Disneylândia".


Grande abraço a todos,

Filipe.


Referência bibliográfica: MOORE, J.K. & LEWIS, D.C., (2000), Multinational Enterprise in Ancient Phoenicia, Business History, Vol 42, No. 2.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Futebol e indisciplina

Olá, pessoal!

Com a estabilização da economia e a profissionalização de alguns esportes no Brasil, nosso grandes clubes começaram finalmente a se reforçar devidamente, inclusive repatriando alguns craques. A presença de nomes como Ronaldinho Gaúcho, Tiago Neves, Deco, Fred, Diego Souza, Rivaldo e Luís Fabiano, entre outros, aumenta a esperança de um Campeonato Brasileiro disputado em alto nível.

Neste mês, porém, um fato me fez escrever esse texto: o Imperador Adriano abandonou o Roma e sofreu a rejeição de grandes clubes brasileiros. Entre eles, o Flamengo, a quem Adriano se ofereceu publicamente. Depois de muita conversa, Adriano foi contratado pelo Corinthians sob protexto de grande parte de sua torcida. O motivo? Indisciplina.

O caso de Adriano não é novidade. Os maus exemplos tem feito parte do futebol durante toda sua história.

Fatos recentes como o problema do menino Jorbson com as drogas e a simulação de sequestro do jogador Somália esquentaram o clima em General Severiano.

O caso de assassinato com requintes de crueldade envolvendo o goleiro Bruno do Flamengo chocou o Brasil e o Mundo. Aliás, o goleiro Felipe, contratado para substituir Bruno, chegou sob desconfiança, pois já havia demonstrado seu lado indisciplinado no Timão. Por enquanto tem andado na linha. Mas até quando?


Alíás, o Rubro-Negro da Gávea vive eternos casos de amor e ódio com os bad boys. Quem não se lembra da geração formada por Djalminha, Marcelinho Carioca, Júnior Baiano, Marquinhos, Paulo Nunes, Nélio e outros insubordináveis? São todos grandes jogadores que poderiam ter sido muito mais respeitados se tivessem mantido a cabeça no lugar! Culpa do clube? Julgo que sim.

Obviamente, outros desregrados fizeram a história do futebol. Quem não se lembra dos problemas com cocaína dos argentinos Maradona e Caniggia? E as inúmeras polêmicas, incluindo atropelamento com morte, envolvendo Edmundo? E o turbulento Serginho Chulapa? Podemos lembrar ainda de nomes como Paulo César Caju, Romário, Reinaldo, Renato Gaúcho e muitos outros.


O Velho Mundo também vive seus casos. O francês Eric Cantona, o alcoólatra e "quinto beatle" George Best, o italiano Materazzi e os ingleses Roy Keane e Paul Gascoigne são apenas alguns exemplos.

Aliás, polêmica e indisciplina é marca até mesmo de boa parte de grandes técnicos como Vanderley Luxemburgo, Muricy Ramalho e Luís Felipe Scolari. Elevados de profissionais do esporte a grandes astros, vivem sempre às turras com a imprensa e as torcidas.

Enfim, o que diferencia o comportamento dos intemperados jogadores de futebol dos atletas regrados de outros esportes? De quem é a culpa?

Grande abraço a todos,

Filipe.

terça-feira, 29 de março de 2011

IRON MAIDEN -The Final Frontier Tour - Rio de Janeiro

Olá, pessoal!

Ontem, após todo o problema ocorrido na segunda-feira, nós cariocas finalmente conseguimos assistir ao aguardado show do Iron Maiden em sua The Final Frontier World Tour.

Por volta de 21h15min, as luzes do HSBC Arena se apagaram e os telões começam a mostrar um video de batalha interestrelar acompanhado de Satellite 15, a tribal abertura do novo álbum. Assim como no álbum que dá nome a turnê, Satellite 15 prepara o público para a empolgante faixa-título. The Final Frontier prova no palco o que já imaginávamos em nossas casas, é uma excelente música de abertura.

A sequencia, assim como no álbum, fica por conta do single El Dorado. Outra que funcionou muito bem ao vivo, mostrando para parte da crítica que o Iron Maiden é um dos poucos dinossauros do rock que não vivem apenas de passado.


Mas como o passado da Donzela merece sempre menção honrosa, 2 Minutes To Midnight entra pra levantar antigos e novos fãs. Ao fim do clássico, o carismático vocalista Bruce Dickinson agradeceu ao comparecimento e ao carinho do público que retornou após o incidente do dia anterior, responsável pelo adiamento do espetáculo.

Duas canções do último disco vêm na sequencia, The Talisman e Coming Home. A primeira, em minha opinião, é uma boa canção, mas foi o momento menos empolgante do show. Já a bela Coming Home, que tem muito da carreira solo de Dickinson, foi cantada a plenos pulmões pelo público carioca.

Valorizando ainda os álbuns mais recentes, Dance of Death, faíxa-título do álbum de 2003 veio em seguida. Com Eddie The Head travestido de morte enfeitando o fundo do belo palco, a banda executou a longa e dinâmica canção com claras referências de música medieval européia. Grande momento.

Hora de mais um clássico para mexer com o público: The Trooper, como sempre, executada com maestria, tirou a galera do chão.

The Wicker Man, maior sucesso da banda após o retorno de Dickinson ao Maiden com o álbum Brave New World de 2000, foi outra que fez o povo cantar e pular. Refrão forte e marcante.

Blood Brothers, outra boa canção de Brave New World, foi também bem aceita pelo público carioca. Destaque para os belos arranjos de guitarra executados de forma sublime.

When The Wild Wind Blows, a mais longa e progressiva canção do último disco, foi outro grande momento do show. Todas as passagens, inclusive as instrumentais, foram cantadas e solfejadas pela multidão.

Como em todo show de dinossauro do rock, o clímax fica para o fim. A sequencia de três clássicos levantou o alucinado público. A primeira foi a belíssima The Evil That Men Do. Foi nela que o gigante Eddie, versão Alien, de quase 3 metros caminhou pelo palco e tocou guitarra. Divertido!

Fear of the Dark vem logo em seguida. Apesar dos metalhead xiitas que usualmente torcem o nariz para este grande sucesso, ela sempre funciona bem ao vivo. Cantada a pleno pulmões por todos, foi a responsável pela primeira "rodinha de bangers" da noite. Apesar de um pouco velho para a brincadeira, assumo que me divirto vendo a molecada ensandecida!

Como sempre, o hino Iron Maiden fecha o setlist antes do bis. E como sempre, é nela que surge por trás da bateria o Eddie que enfeita o cenário. E vem novamente como monstro do espaço. Muito bacana!

Após breve pausa, a banda retorna para o bis. Mais três clássicos para a conta: The Number of The Beast, Hallowed Be Thy Name e Running Free fecham de forma brilhante o grande show de uma das melhores, maiores e mais respeitadas bandas de todos os tempos. Detalhe para a macabra figura do Tinhoso meio homem meio bode observando o público durante a execução de Number of the Beast.

Enfim, valeu, e muito, esperar por mais um dia!

Grande abraço a todos e UP THE IRONS!

Filipe.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Snatch: Porcos e Diamantes

Olá, pessoal!

Em recente conversa com alguns amigos, percebi que muitos não conheciam ou não tinham visto um de meus filmes prediletos: Snatch: porcos e diamantes. Achei estranho o fato de um dos filmes mais cult lançados no final do século passado ainda seja desconhecido de tanta gente.

Lançado em 2000, Snatch: Porcos e diamantes do diretor inglês Guy Ritchie é uma comédia policial com roteiro recortado, cheia de encontros e desencontros de personagens trambiqueiros e completamentamente fora dos padrões. 


A narrativa dinâmica e torta é, aliás, a marca registrada do diretor que já havia dirigido o engraçadíssimo Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes de 1998.

O enredo de Snatch se dá entre um choque de circustâncias divertidas e pitorescas entre as máfias do boxe clandestino e as máfias ligadas ao comércio de diamantes.


O elenco composto por grandes nomes como Benicio de Toro, Dennis Farina, Vinnie Jones e Brad Pitt, entre outros, dá um show de interpretação. Destaque para o cômico boxeador cigano interpretado por Pitt.

Lucky Star, sucesso da cantora Madonna - ex-esposa do diretor - faz parte da trilha sonora.

Enfim, recomendo esse fantástico e espirituoso filme que é diversão garantidada e que não perde em nada para o cultuado Pulp Fiction de Quentin Tarantino.

Grande abraço a todos e bom filme,

Filipe.

sábado, 26 de março de 2011

Flanelinhas e cambistas: quem curte?

Olá, pessoal!

Hoje, sem livros, filmes ou música, resolvi cornetar as duas subespécies que mais me irritam no mundo: flanelinhas e cambistas.


Não sei quanto ao resto do país, mas flanelinha, aqui no Rio de Janeiro, é aquele bandido disfarçado de guardador de carro que, sob os olhos indiferentes ou mesmo a batuta de alguns homens da lei, vem achacar o cidadão de bem, pedindo um valor em dinheiro para supostamente vigiar o carro da vítima.

O valor cobrado por esses facínoras é quase sempre um absurdo. Já ouvi malandro pedindo R$20,00, pois o ponto "dele" era disputado.

Atuar como flanelinha, de acordo com a lei brasileira, pode constituir uma contravenção - exercício ilegal de profissão - ou mesmo um crime, se associado à prática de extorsão ou formação de quadrilha.


É exatamente esta formação de quadrilha que me revolta. Há algum tempo, deixei meu carro com um desses safados e fui curtir minha noitada. Na volta, meu carro estava arrombado e meu som furtado. O que mais me chamou atenção foi o fato do flanelinha conhecer o moleque que me furtou e a intimidade existente o flanelinha e o policial que veio averiguar a situação. A má vontade do nosso "homem da lei" também foi notória.

Estariam os três - delinquente, flanelinha e policial - em harmonia e consonância?

A segunda subespécie, menos perigosa para o indivíduo, porém igualmente daninha para a coletividade é o chamado cambista. 

Cambista, que na época feudal cuidava da troca de moedas pelo valor do seu metal, hoje não passa do cretino que compra diversos ingressos de shows e eventos esportivos, que já não são baratos*, para revendê-los a preços fora da realidade.


É incrível o contraste entre a burocracia que enfrentamos para conseguir um único ingresso legalmente e a facilidade que esses criminosos tem para adquirir vários deles. Existiria alguma facilidade por parte dos responsáveis pelas vendas?

Recentemente, os ingleses começaram a jogar duro com os cambistas, cobrando 20 mil libras de multa para esse tipo de crime. Quando copiaremos estes bons exemplos?

Às vezes brinco que seria ótimo o mundo trocar a temporada de caça às raposas pela temporada de caça aos flanelinhas e cambistas!


Enfim, um país que convive com certos tipos de problemas sob consentimento do Estado pode ter uma das maiores economias do mundo, mas nunca poderá ser chamado de desenvolvido.

Deixo a palavra com vocês.

Grande abraço a todos,

Filipe.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Asterix e Cleópatra

Olá, pessoal!

Existem coisas na vida que a gente parece nunca enjoar. Esse é o meu caso com Asterix. Leio, re-leio e ainda dou as mesmas risadas altas e idiotas das mesmas piadas de sempre. Gosto de toda a série de livros e filmes protagonizados pelos irredutíveis gaulêses, mas obviamente com algumas preferências.


Essa semana, com a morte da eterna Cleópatra, Elizabeth Taylor, resolvi ler novamente o livro Asterix e Cleópatra. Não é o meu preferido, mas está entre eles.

Além do livro, existem duas adaptações para cinema: o desendo animado Asterix e Cleópatra* e o filme Asterix e Obelix: Missão Cleópatra, protagonizado por Christian Clavier e Gerard Depardieu.

Lançado originalmente em 1965, o enredo de Asterix e Cleópatra começa com uma aposta feita entre a rainha Cleópatra e Júlio César em que se o povo egípcio construisse um palácio em 3 meses, o imperador romano deveria reconhecer que o povo egípcio não estaria decadente. Para essa missão, a rainha contrata o arquiteto Numeróbis.

Desesperado com o curto prazo, o arquiteto viaja à Armórica para pedir ajuda ao seu amigo Panoramix e sua poção mágica. 
 
Numeróbis e Panoramix partem para o Egito acompanhados de Asterix, Obelix e o cãozinho Idéiafix.

Tudo corria bem com a obra até que o invejoso e ambicioso arquiteto Timetamon  resolve sabotar os planos de Numeróbis.

Recheado de piadas com a marca de René Goscinny, Asterix e Cleópatra é um dos quadrinhos mais engraçados dos famosos personagens franceses.

Enfim, divirtam-se.

Grande abraço por Osíris e por Belenos!

Filipe.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Steel Pulse - Rastafari Centennial - Live In Paris

Olá, pessoal!

Para não dizerem que, quando o assunto é música, só escrevo sobre rock and roll, resolvi escrever hoje sobre o Steel Pulse, minha banda de reggae preferida, e seu fantástico Rastafari Centennial - Live in Paris.


Para quem ainda não conhece, o Steel Pulse é uma banda inglesa fundada em 1975, com elementos do reggae roots provindo da Jamaica e pitadas interessantes de pop britânico. Diferente da maioria dos grandes nomes do estilo, o Steel Pulse é conhecido pela alegria presente em quase todas as canções, pela excelente técnica dos músicos e pelos arranjos minuciosamente elaborados. Difícil ouvir e não perceber essa diferença!

As letras possuem caráter religioso e político, característico do estilo!

Lançado em 1992, o Rastafari Centennial - Live In Paris (Elysee Montmartre) é o primeiro trabalho ao vivo da banda e trás uma coleção de hits do grupo.

A abertura fica por conta de State of Emergency, faixa-título do álbum lançado em 1988. Melodia forte e refrão fantástico.

A segunda faixa se chama Roller Skates e é um hit da banda, com relativa execução nas rádios. Divertida e dançante.

A terceira se chama K.K.K. e é um reggae mais arrastado com ênfase nos trabalhos vocais e na letra. E sim, ela fala da Klu Klux Klan.

Blues Dance Raid, outra canção dançante, é a quarta faixa do disco. Os trabalhos de guitarra nesta música já mostram a diferença entre o Steel Pulse e grande parte dos nomes do reggae. Bonita melodia no refrão e fantásticas fugas no tema. Dinâmica.

A quinta música se chama Taxi Driver e é outro reggae radiofônico. Com o clássico backing vocal sobre melodia simples, porém divertida, é outra boa música.

A sexta faixa se chama Soldiers e é outro grande clássico da banda. É uma das faixas que mais se aproxima do reggae jamaicano de Marley e Tosh. Bonito arranjo de metais.

A sétima faixa é o maior hit da banda. Stepping Out tocou muito e ainda toca nas rádios até hoje. Divertida.

A oitava música se chama Chant A Psalm e é uma de minhas preferidas. Difícil ouvir e não sair dançando! O refrão é lindo e marcante. Possui forte influência do R&B americano!

Gang Warfare é a nona canção. Dançante e com outro grande trabalho de metais, é outra boa música do disco.

A décima faixa fica por conta de Stay Wid De Ridin. Um reggamuffin dancehall interessante. Certamente grande influência para nomes como Shabba Ranks e Buju Banton.

A décima primeira faixa é um medley composto por Makka Spluff, Drug Squad e Handsworth Revolution. A primeira é um reggae acelerado e divertido, a segundo é mais arrastada com backing vocal clássico e a terceira é outro clássico da banda. Detalhe para a mudança de andamento dinâmica e inteligente do medley, mostrando o poder criativo e técnico da banda.

Ravers, a décima segunda faixa, é outra canção radiofônica. Lembro de ter ouvido algumas vezes nas rádios e até nas noitadas. Grande canção.

O encerramento fica por conta de Rally Round. Outra linda canção, melódica e bem arranjada. Essa versão ao vivo ficou extendida em mais de dez minutos, com as apresentações de praxe dos músicos e os devidos agradecimentos.

Enfim, recomendo aos apaixonados por reggae, não apenas esse, mas toda a discografia dessa pérola chamada Steel Pulse.

Para finalizar, deixo aqui o link para a versão de estúdio do maior sucesso da banda, Steeping Out.


Grande abraço a todos e "abracadabra me seh, catch me if you can",

Filipe.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Dica de filme: DEZ de Abbas Kiarostami

Olá, pessoal!

Recentemente assisti ao profundo e coerente DEZ do diretor iraniano Abbas Kiarostami. 


Lançado em 2002, o filme leva a marca do diretor que, como poucos, exprime a realidade da sociadade iraniana no cinema.

DEZ se passa todo o tempo dentro de um carro com apenas duas câmeras, cada uma apontada para um dos bancos da frente do carro. Focado exclusivamente nos diálogos e expressões, o filme mostra a visão da mulher iraniana, envolta em véus e problemas.

A dimensão dos assuntos manifesta a dificuldade da mulher iraniana frente a assuntos como divórcio, castração física e moral, machismo, maternidade e a mulher como objeto de contemplação.

Filmado de forma simples, com o uso de close-ups, DEZ representa de forma intimista e filosófica o lado vivo e racional da aparentemente subjugada mulher nascida no Irã.

Enfim, recomendo a todos aqueles interessados por obras produzidas fora do eixo Estados Unidos-Canadá-Inglaterra.

Grande abraço a todos e bom filme,

Filipe.

terça-feira, 22 de março de 2011

Metal - uma jornada pelo mundo do Heavy Metal

Olá, pessoal!
Vou escrever hoje sobre um de meus filmes preferidos, METAL: uma jornada pelo mundo do Heavy Metal. Bem, antes de começar, aviso que esse texto possui alguns spoilers.



Lançado em 2005, METAL é um documentário escrito, dirigido, narrado e protagonizado pelo canadense Sam Dunn. O carismático antropólogo apaixonado por heavy metal desde os 12 anos de idade se propõe a fazer um filme que não pretende contar a história do mais maldito dos estilos musicais, mas sim responder uma pergunta que sempre o perseguiu, "por que o heavy metal tem sido constantemente esteriotipado, repudiado e condenado?".


Para responder essa questão, Sam Dunn, juntamente de Scot McFadyen and Jessica Wise, embarca em uma jornada pelo mundo para filmar essa obra dividida em dez partes.


A primeira parte discute as origens do metal e qual poderia ser considerada a primeira banda. A primeira resposta fica por conta de Geddy Lee do Rush que aponta o Blue Cheer como a primeira delas. Outros nomes como Led Zeppelin, Deep Purple e Alice Cooper são citados, mas é o Black Sabbath que recebe a maioria das menções.
 
A segunda parte discute o que é o heavy metal, musicalmente falando. Quais os sons que justificam e indicam o rótulo? O uso do trítono - ou acorde do diabo - as guitarras distorcidas, a exploração dos sons graves de bumbos e contrabaixos, os vocais operísticos e fortes e, acima de tudo, a energia e velocidade das canções.
 
Mas de onde vem o heavy metal? A terceira parte debate quais são suas raízes musicais. Desde a música clássica sombria e grave de Wagner até o blues provindo do sul dos Estados Unidos.

A quarta parte mostra o meio ambiente do heavy metal e o que ele representa neste meio. Quem é o público tradicional? De que espécies de locais e criações os músicos e fãs tendem a vir? Músicas como Killing In The Name da banda Rage Against The Machine que representam a negação do mundo oferecido e imposto aos jovens.
 
A quinta parte fala dos personagens desse meio ambiente. Quem são e como vivem. As roupas, o estilo de vida e a vontade de tocar. Mostra como, diferentemente dos outros estilos, o heavy metal é marginal e caminha na contra-mão da moda. E assim também são os seus fãs.


A sexta parte fala de toda a cultura por trás do heavy metal. Os grandes festivais - personificado pelo Wacken Open Air -, o uso de roupas pretas, couro, correntes. A identificação e auto-promoção através de selos e revistas independentes.

A sétima parte fala sobre a censura imposta ao estilo. Conta o curioso caso de Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, que no ano de 1984 foi chamado a depor frente ao Parents Music Resource Center (PMRC), e, com um discurso inteligente e bem articulado, deixou embaraçado e sem palavras os representantes da moral e bons costumes americanos capitaniados por Tipper Gore, esposa do futuro vice-presidente Al Gore.


A oitava parte fala sobre sexo e sexualidade no heavy metal. Discute como a força presente na maioria das canções direcionou o estilo a um público de maioria masculina. Lembra o glam metal e a troca do couro pelas rendas femininas na segunda metade da década de 1980. Homossexualidade e groupies também são discutidos, assim como a presença de mulheres em algumas das mais recentes bandas.

Religião e satanismo são os temas abordados na nona parte. O uso de cruzes e pentagramas, a primeira fase do black metal representado por nomes como Venom e Celtic Frost, o ataque às religiões cristãs simbolizados por nomes como Slayer e a viagem do diretor à Noruega para entrevistas aos maiores expoentes do black metal norueguês que, no início da década de 1990, chocaram o mundo queimando históricas igrejas cristãs ao redor do país.

A versão em DVD deste filme possui um documentário extra sobre o black metal norueguês que foi produzido a pedido daqueles que criticaram METAL por ter se limitado a apresentar o estilo pelo fatídico episódio das igrejas em chamas.
 
A décima e última parte mostra a associação do heavy metal a assuntos como morte e violência. A proibição dos sangrentos shows de Alice Cooper na Inglaterra. As grotescas e violentas capas e letras do mais extremo subgênero do heavy metal, o death metal. As acusações impostas a alguns artistas por influência a episódios de violência e suicídio.


Durante as dez partes, grandes momentos estão presentes, como as entrevistas aos vocalistas Bruce Dickinson e Ronnie James Dio.

A trilha sonora? Obviamente recheada de metal, muito metal.

Enfim, recomendo esse que é um documentário muito bem escrito, dirigido e produzido por esse canadense apaixonado pelo mais subversivo dos gêneros musicais. Ao fim, Sam Dunn ainda declara: "Se o metal não te provoca essa envolvente sensação de poder e não faz com que se arrepiem os cabelos da nuca, talvez nunca o compreenda. E sabe o que mais? Está tudo okey, porque, a julgar pelos 40.000 metalheads que me rodeiam, estamos bastante bem sem você".

Fico com a declaração dos críticos da Folha de São Paulo: "Metal agrada até quem odeia metal...".

Grande abraços a todos e "fuck you, I won't do what you tell me".

Filipe.

sábado, 19 de março de 2011

KISS Por Trás da Máscara

Olá, pessoal!

Recentemente, motivado pelo início da leitura da biografia autorizada do KISS, escrevi um texto sobre minha paixão pela "banda mais quente do mundo". Prometi na ocasião que escreveria algo sobre o livro assim que terminasse a leitura. Então, vamos lá!

KISS Por Trás da Máscara: a biografia oficial autorizada foi escrito por David Leaf e Ken Sharp e lançado em 2006 pela Companhia Editora Nacional em território brasileiro.

O livro foi escrito em dezessete capítulos separados em três grandes partes. A primeira parte foi um texto narrativo escrito em 1979 por David Leaf utilizando as palavras dos próprios integrantes da banda e das pessoas que os cercavam na época. Esse ficou guardado durante todo esse tempo até que Leaf conheceu Ken Sharp, um grande fã da banda, que abraçou a causa e resolveu escrever o restante da história através de depoimentos da banda, dos empresários e de outros músicos durante o período de 1996 até 2000, que se tornaria a segunda parte do livro. A terceira parte é uma análise feita álbum a álbum, música a música, de toda a discografia do KISS, desde uma demo não lançada da banda Wicked Lester - pré-projeto de Paul Stanley e Gene Simmons - até o disco Psycho Circus de 1998.

Além das entrevistas com a banda e toda sua equipe, o livro possui um excelente e raro arquivo de fotos e depoimentos de outros grandes nomes da música  e do cinema como Ozzy Osbourne, Ian Gillan, Kevin Bacon, Angus Young, Geddy Lee, etc.

Muito interessante a forma como figuras diametralmente opostas como o astuto linguarudo Gene Simmons e o talentoso Paul Stanley se completaram e batalharam para transformar o KISS numa das marcas mais caras do show business.

Diversas estórias engraçadas e dramáticas preenchem o livro, como a conturbada infância do catman Peter Criss, os problemas com álcool e drogas do spaceman Ace Frehley e a prematura morte por câncer do baterista Eric Carr. As brigas internas entre os músicos que a cada dia disputavam mais espaço criativo  com seus egos acirrados com o lançamento simultâneo dos quatro álbuns solos também é um ponto bem explorado no livro

Entre outras coisas, chama a atenção a eterna luta do KISS para ser reconhecido com uma grande banda de rock e não apenas um grande produto de marketing, eclodindo na retirada das máscaras em meados da década de 1980.

Enfim, recomendo essa excelente biografia dos mascarados de Nova York que tem um pequeno pormenor, foi integralmente escrito para os fãs da banda.

Grande abraço a todos, boa leitura, rock and roll all nite and party every day,

Filipe.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Alamos Malbec 2007

Olá, pessoal,

Depois de algum tempo experimentando vários outros rótulos e indicações, resolvi dar cabo de minha última garrafa do saboroso Alamos Malbec 2007, fabricado pela argentina Bodega Catena Zapata

Quando criei o blog, prontifiquei-me a, entre outras coisas, falar um pouco sobre minha experiências com cervejas e vinhos. Sobre o primeiro assunto já publiquei alguma coisa*, mas esse será meu primeiro texto sobre vinho. 

Escolhi o Alamos Malbec 2007, pois foi esse, provavelmente, o primeiro vinho que me despertou essa nova paixão. Já havia experimentado outros bons tintos, talvez até melhores que ele, mas esse foi o que amadureceu em mim o interesse em procurar muito mais.

De excelente custo-benefício, a safra 2007 foi envelhecida em barris franceses e americanos e possui cor púrpura, aroma com notas florais e frutas vermelhas maduras. Na boca é macio e saboroso, com acidez refrescante. Possui taninos adocicados e aveludados, muito macios, elegante, lembrando especiarias doces e couro.

Produzido na região da Mendonza com uvas do tipo malbec, sua graduação alcoólica é de 14% e deve ser servido preferencialmente a 18ºC.

Enfim, recomendo esse que está longe de ser o melhor vinho, mas que tem espaço cativo no coração deste ébrio blogueiro.

Grande abraço a todos e saúde!

Filipe.

*ver Weihenstephaner, Schiehallion e Sepultura Weissbier.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O lendário Master of Puppets

Olá, pessoal!

Para encerrar a série "obra-primas do thrash metal", vamos ao que foi considerado pela revista Metal Hammer como o maior disco de metal de todos os tempos e Kerrang!Klassic como o segundo maior, Master of Puppets do Metallica. Terceiro álbum da banda, vendeu mais de 6 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.


Na verdade, assim como o próprio Metallica, o Master of Puppets dispensa apresentações, mas tomarei a liberdade de mais uma resenha. Foi lançado em fevereiro de 1986, ano em que a banda era formada por James Hetfield na guitarra base e vocal, Kirk Hammett na guitarra solo, Cliff Burton no baixo e Lars Ulrich na bateria. Este é, aliás, o último trabalho de Burton falecido em setembro de 1986. A produção ficou por conta de Flemming Rasmussen.

A primeira música, Battery, começa com um bonito trabalho de violão e entra em um tema agressivo que faz justiça ao nome. Muito agressivo. A música é veloz, com refrão forte e tema cheio de energia. Aliás, energia é a marca registrada do Metallica. A letra fala sobre o controle da raiva.

A faixa-título aparece logo em seguida. Master of Puppets é uma das músicas mais executadas pela banda e, apesar de seus quase nove minutos, é um dos maiores sucessos dos mestres do metal norte-americano. A música é executada com uso intenso de downpicking e possui interessantes partes instrumentais e fugas. Possui também um dos solos mais bonitos do guitarrista Kirk Hammett. A letra fala sobre drogas.

A terceira música se chama The Thing The Should Not Be. É menos acelerada que as duas primeiras, porém ainda uma música bem forte. Possui estrutura dinâmica e melodia interessante. A letra fala sobre a dualidade sanidade versus loucura.

A quarta faixa se chama Welcome Home (Sanatarium). Começa com uma tema limpo e melódico e vai crecendo conforme o refrão vai se aproximando. O refrão é forte. Os solos de Hammett sobre os temas mais limpos são belíssimos. Após o segundo refrão, a música ganha um tema acelarado e termina com solos de guitarra e bateria sobrepostos. A letra também fala de loucura. Uma curiosidade chama atenção: o riff utilizado no início do tema mais acelerado foi retirado da música Tom Sawyer do Rush. Aliás, o trio canadense foi homenageado no encarte do álbum.

A quinta faixa se chama Disposable Heroes e é certamente uma daquelas que levantam qualquer defunto. Uma sequencia de riffs maravilhosos e dinâmicos dão suporte a uma melodia poderosa e um refrão violento. A letra fala de dominação. Mesmo sendo uma canção longa - 8 minutos e16 segundos - é uma daquelas que voltamos para ouvir várias vezes. Aula de thrash metal.

Leper Messiah é a sexta faixa e é outra excelente música. O tema inicial mesmo não sendo veloz, possui muita energia. Hetfield canta a plenos pulmões como se chamasse de forma imperiosa por seus ouvintes. Assim como a anterior, a letra também fala sobre dominação.

A sétima faixa é uma faixa instrumental chamada Orion. Dinâmica e melódica, a música é outra aula de thrash metal. Destaque para o segundo solo de guitarra executado por James Hetfield.

O encerramento fica por conta de Damage, Inc. Outra faixa com tema acelerado e forte. É menos complexa que as anteriores, mas não chega a ser uma música simplista.

Aliás, com diversas variações na métrica, nos andamentos, nos padrões e nos arranjos, o álbum merece seu lugar de destaque não apenas no cenário do heavy metal, mas em todo Universo musical.

Enfim, sei que qualquer amante de heavy metal já sacudiu a cabeça com o Master of Puppets, logo recomendo então a  todos aqueles ainda não iniciados no mais maldito dos estilos musicais.

Grande abraço a todos e "just call my name, 'cause i'll hear you scream".

Filipe.




terça-feira, 15 de março de 2011

A covarde indústria do medo!

Olá, pessoal!

Resolvi quebrar a sequencia de obras-primas do thrash metal*, para escrever sobre algo que sempre me incomodou e que hoje presenciei mais uma vez, a covarde indústria do medo. Mas onde presenciei isso? No Bom Dia Brasil. Durante quase todo o jornal, só desgraça e medo eram divulgados. Realmente, nos parece que a vida do lado de fora de nossas muralhas e janelas gradeadas, o mundo é um grande perigo! Terremotos, tsunamis, usinas nucleares, drogas, pais que matam os filhos, filhos que matam os pais, motoristas assassinos, guerras e muitas outras espécies de ameaças e monstruosidades.

Logo após o vazamento nas usinas japonesas, diversos centros nucleares em todo o mundo entraram em estado de alerta. Os jornais discutem de forma aturdida o uso da energia nuclear. O próprio Jornal do Brasil, que em minha opinião é um dos poucos grupos sérios da impressa, nos alertou para o perigo potencial em Angra dos Reis.

 A pergunta que sempre me vem a cabeça é "quem lucra com tudo isso?". Como escrevi em meu texto sobre o Rust in Peace, não sou partidário daqueles que creem em teorias da conspiração, mas nesse caso não consigo acreditar apenas no popular "mas é isso que vende jornal". É verdade, vende jornal, mas vende também os seguros de vida e de carro. Nos prende dentro de casa em frente ao conforto de nossas televisões.

Lembro que muitos debocharam dos norte-americanos quando o cineasta Michael Moore nos mostrou em Tiros em Columbine o medo criado por reality shows como COPS e pelas notícias de violência nos telejornais.

E nós brasileiros? Alguém se lembra do Linha Direta da Rede Globo? Do Documento Especial da extinta Rede Manchete? E os espetáculos de horror protagonizados pelos patéticos Datena e Wagner Montes?

Enfim, deixo a palavra com vocês.

Grande abraços e "LOOK OUT! The sun is going black, black".

Filipe.
 

segunda-feira, 14 de março de 2011

O furioso Reign in Blood

Olá, pessoal!

Vamos à terceira publicação da prometida série "obra-primas do thrash metal". O álbum da vez é o averno e furioso Reign in Blood, lançado em 1986 pelo Slayer. Considerado um dos quatro grandes do thrash metal, o Slayer é uma banda com uma marca própria que, diferentemente das outros três - Metallica, Megadeth e Anthrax -, leva sua música por uma estrada mais furiosa e menos melódica. Alguns inclusive os consideram os pais do death metal.

Reign in Blood é o terceiro e mais conceituado álbum da banda. Ele carrega a essência dos dois primeiros trabalhos - Show No Mercy e Hell Awaits - com temas menos satânicos, porém não menos polêmicos. Aliás, os temas preferidos do Slayer são serial killers, satanismo, religião e guerra. Todos gritados de forma raivosa e mal-humorada pelo enfurecido baixista e vocalista Tom Araya. Completam a banda os guitarristas Jeff Hanneman e Kerry King, e o baterista Dave Lombardo.

A música de abertura, em minha opinião a melhor música da banda, se chama Angel of Death. É um thrash metal clássico com pitadas furiosas de death. A música começa com um tema veloz que desemboca em um refrão gritado e cheio de ódio, com as guitarras em trêmulo e ataque violento aos pedais duplos. Após o segundo refrão, a música cai em um tema acelerado acompanhado por um poderoso riff de guitarras em contraponto. A letra fala de Josef Mengele, o médico alemão que fazia experiências com judeus nos campos de concentração nazistas. Nervosa!

A segunda faixa se chama Piece by Piece e apesar de possuir menos energia que a primeira, é também um tema agressivo onde o baterista Dave Lombardo não poupa esforços em quebrar tudo.

As terceira e quarta faixas se chamam Necrophobic e Altar of Sacrifice respectivamente, e são daquelas músicas praticamente sem melodia e com muita raiva. Não foram feitas pra cantar junto, mas pra bater a cabeça! Odiosas!

Jesus Saves é a quinta faixa e com uma introdução interessante, acaba novamente caindo na fórmula das duas canções anteriores. Pouca melodia e muita raiva! A letra justifica o ódio dos cristãos à banda!

A sexta faixa se chama Criminally Insane e alterna temas velozes e arrastados. É uma das que possuem serial killers como tema central.

As sétima e oitava faixas se chamam Reborn e Epidemic respectivamente. São outras que caem no padrão "muita raiva e pouca melodia".

A nona música se chama Postmortem e apesar de não ser uma grande música, possui temas e riffs mais interessantes que as duas anteriores. É também um bom esquenta para a próxima faixa, Raining Blood.

Raining Blood, juntamente com Angel of Death, é a música que colocou o Reign in Blood no hall dos grandes discos de metal. A música é exatamente o que diz o nome, uma chuva de sangue. O tema é absolutamente selvagem! O refrão é poderoso! Brutal!


A última canção se chama Aggressive Perfector e é outra boa música do álbum! A melodia é veloz, porém musical! Funciona bem como faixa de encerramento!

Não considero Reign in Blood um dos dez melhores álbuns de metal de todos os tempos. Na verdade, nem é meu disco preferido do Slayer, mas é inegável a sua importância para o estilo. A qualidade cristalina do som e a brutalidade das canções fizeram dele um marco importante no gênero.

Enfim, escute e tire as suas conclusões.

Grande abraço e "the only way to exit is going piece by piece"

Filipe.

domingo, 13 de março de 2011

Obras-primas do thrash metal parte 2 - AMONG THE LIVING

Olá, pessoal!

Comecei ontem, a partir do Rust In Peace, a escrever sobre "as obras-primas dos quatro grandes do thrash metal". Continuando a série, vamos ao álbum Among The Living do Anthrax.

Lançado em 1987, Among The Living é o terceiro disco e o melhor trabalho do Anthrax segundo a maioria dos fãs e da crítica especializada. Na época o Anthrax era composto por: Joey Belladonna nos vocais, Dan Sptiz na guitarra solo, Scott Ian na guitarra base, Frank Bello no baixo e Charlie Benante na bateria. O disco foi produzido por Eddie Kramer que já havia trabalhado com nomes do porte de Led Zeppelin, Jimi Hendrix e KISS.

Em comparação ao dois primeiros álbuns da banda - Fistful Of Metal e Spreading The Disease -, Among The Living demonstra maior maturidade rítima, melódica e sonora.

A faixa-título é também a faixa de abertura. Com uma pegada possante e refrão forte, Among The Living é uma música capaz de sacudir qualquer esqueleto. O Anthrax possui uma fórmula que se repete em grande parte de suas músicas, mas que quase sempre funciona bem: tema, ponte, pré-refrão e refrão. É uma banda que valoriza a sobreposição de melodias entre o vocal principal de Belladona e os fortes backing vocals de Ian e Bello.

A segunda música se chama Caught In A Mosh e é, provavelmente, a canção mais executada pela banda. É outra música com a estrutura "tema, ponte, pré-refrão e refrão" mais um tema de "fuga" chamado mosh part que funciona muito bem. O baterista Charlie Benante aparece quebrando tudo!

A terceira faixa se chama I Am The Law e é baseada na história em quadrinhos Judge Dredd que fez sucesso no cinema com Silvester Stallone como "O Juiz". Valorizando o lado groove da banda, é uma faixa menos acelerada que as anteriores, mas tão divertida quanto. É outra bem executada nos shows.

Efilnikufesin (N.F.L.) é a quarta música do álbum. Escrita de forma a representar Nice Fuckin Life ao contrário, foi composta em homenagem aos ator John Belushi. É umas das músicas que demonstram a inclinação do Anthrax ao punk rock.

A quinta música se chama Skeleton In The Closet. Não é uma música tão conhecida como as quatro primeiras, porém também merece destaque no álbum. Com base sólida, cozinha nervosa e backing vocals agressivos, possui um refrão poderoso cantado a plenos pulmões.

A sexta faixa se chama Indians e é outra música bem executada nos shows pela banda. Começa com uma batida meio tribal e segue por um excelente tema thrash. É outra que segue a linha "tema, ponte, pré-refrão e refrão" mais um tema de fuga com a banda fazendo alusão aos cantos de guerra dos indios americanos.

A sétima música se chama One World e é a faixa mais acelerada do disco. Com uma base rápida e pulsante e o refrão gritado a plenos pulmões, mostra mais uma vez o lado meio thrash metal meio hardcore do Anthrax. É uma daquelas músicas de que dá vontade de sair "dançando e quebrando" tudo. Nervosa!

A.D.I./Horror of It All é a oitava faixa do álbum. Com uma bonita abertura de cordas, segue por um tema pesado e melódico. É a maior e mais trabalhada faixa do disco. É a que mais se aproxima da raíz thrash metal da banda presente nos dois primeios álbuns.

A nona e última faixa se chama Imitation Of  Life é em minha opinião a música mais morna desse disco. Um disco tão forte e pulsante mereceria uma música de encerramento mais poderosa. De qualquer forma, é uma canção interessante com um dos melhores solos do guitarrista Dan Spitz.

O disco foi dedicado ao falecido baixista do Metallica - Cliff Burton - e em sua capa aparece o bizarro personagem Henry Kane do filme Poltergeist 2.

Enfim, recomendo a audição de mais essa obra-prima do metal!

Grande abraço a todos e "FOLLOW ME OR DIE",

Filipe.

sábado, 12 de março de 2011

Rust In Peace - a opulência de criatividade

Olá, pessoal!

Quando escrevi há algum tempo atrás sobre o DVD The Big4: Metallica, Slayer, Megadeth and Anthrax, prometi via Twitter que um dia escreveria sobre as obra-primas dos quatro grandes do thrash metal. Começarei então por Rust In Peace, lançado em 1990 pelo Megadeth. Não me recordo a fonte agora, porém, mais ou menos na mesma época, li um tweet assim: "o legal do Rust In Peace é que nessa época o Dave Mustaine cagava riffs". Excremento a parte, é a melhor definição que li para o álbum.

Praticamente composto em sua totalidade pelo guitarrista e vocalista Dave Mustaine, o Rust In Peace é o auge da criativiade desse conturbado gênio do heavy metal. Na época, a banda era composta ainda por David Ellefson no baixo, Marty Friedman na guitarra e Nick Menza na bateria. Essa é, aliás, considerada a formação clássica da banda. A preferida entre a maioria esmagadora dos fãs.

Mas voltemos ao álbum. Composto por nove faixas, o álbum tem como música de abertura a sensacional Holy Wars... The Punishment Due. Com um dos melhores e mais conhecidos riffs da história do thrash metal, Holy Wars tem na letra o que infelizmente ainda é notícia pelo mundo, as guerras santas. Os versos "Killing for Religion / Something I don´t undertand" não poderiam ser mais atuais. A música é nervosa e possui um excelente arranjo, com longas e fantásticas partes instumentais. Clássico!

A segunda música, também bastante conhecida, é Hangar 18. Acelerada e com outro excelente riff, a letra fala dos casos de visitas extraterrenas ao planeta Terra, estrategicamente abafados pelas forças militares norte-americanas. Não sou muito partidário dessas "Teorias da Conspiração", mas assumo que a música e a letra são muito bem escritas. Vale também pelo sensancional duelo de guitarras ao final da música, com Mustaine e Friedman detonando! Uma de minhas preferidas.

A terceira faixa se chama Take No Prisoners e é uma outra que se chama atenção pela agressividade e criatividade. Com uma sequencia cabulosa de riffs que se alternam de forma incrivelmente dinâmica, a música é um convite às famosas "rodas de metal". A letra fala sobre o famoso ataque à Normandia conhecido como o "Dia D". Selvagem!

A quarta faixa se chama Five Magics e é baseada no livro Master of the Five Magics do escritor Lyndon Hardy. Possui uma introdução arrastada e prossegue alternando velocidade e temas lentos. Detalhe interessante para as frases dobradas, com uma estranha e monstruosa voz repete os versos cantados por Mustaine.

Poison Was The Cure é a quinta música do disco. Bem acelerada, mostra uma certa tendência punk, porém com a cozinha bem mais "torta". Na minha opinião, uma boa música, porém a menos inspirada do álbum.

A sexta música se chama Lucretia. Começando com uma risada cabulosa, a música possui um envolvente groove. Não tenho certeza absoluta, mas a letra parece falar sobre uma bruxa. Corrijam-me, por favor.

A sétima faixa é outro clássico da banda, Tornado of Souls. Começa com um interessante e vigoroso riff cheio de harmônicos e segue por um tema forte e melódico. O refrão é vivo e muito bem escrito. A letra fala sobre um antigo relacionamento do vocalista Dave Mustaine.

Dawn Patrol é a oitava faixa e, com um canto quase falado acompanhado por uma  cozinha onde o baixo se sobressai, não passa de uma introdução para a nona e última canção, Rust In Peace... Polaris.

Mais agressiva e complexa do álbum, Rust In Peace... Polaris começa com um breve e violenta introdução de bateria seguida por uma sequencia sensacional de riffs e um vocal meio cantado meio falado. A letra  escatológica e cínica, fala das perigosas ogivas nucleares.

Quarto disco do Megadeth, Rust In Peace mostra uma banda muito mais madura em relação aos três primeiros álbuns, com uma identidade definida e com músicos de muita qualidade. As bases e solos dos dois guitarristas são incríveis, sendo que o Marty Friedman merece destaque entre o seleto grupo de guitar heros do rock. O trabalho do baterista Nick Menza também chama bastante atenção, principalmente pela forma inteligente em que alterna o uso dos bumbos. As linhas são inquietas e muito bem escritas!

Tive o prazer de recentemente assistir ao show Rust In Peace: 20th Anniversary Tour onde o álbum foi executado na íntegra. Mágico!

Enfim, recomendo este que está certamente entre os dez melhores discos de thrash metal da história e consta no livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer.

Grande abraços a todos e don't ask what you can do for you country, ask what your country can do for you.

Filipe.