domingo, 24 de fevereiro de 2013

Helloween - Straight Out Of Hell


Olá, pessoal!

Há algum tempo que já não espero muita coisa do Helloween.

Nem a força e complexidade de Master of The Rings ou The Time of the Oath, nem a bela simplicidade de Better than Raw. Falando apenas da "fase Andi Deris".

Difícil criticar algo como fã, pois gosto, objetividade e paixão se confundem. Ao mesmo tempo que afrouxamos nossa crítica aos trabalhos fracos, sentimos pontas de decepção aos que não soam brilhantes.


Mas foi por não esperar muito de Straight Out The Hell que me surpreendi com o novo Helloween.

O disco abre com a boa Nabataea. Power Metal melódico, dinâmico e veloz. Recheada de riffs e passagens interessantes. Primeiro single do disco. Excelente música de abertura. O belo clipe da versão editada de Nabataea se encontra disponível no Youtube.

Segue com World of War. Canção forte e pesada. Refrão complexo. Boa música.

A terceira faixa se chama Live Now! e é uma daquelas com potencial pra hit. Riff direto e pesado, tema simples e bonito, ótimo refrão. Uma das mais marcantes e bacanas do disco.

Far From The Stars vem em seguida com outra boa melodia. Quebrada, torta, alternada. Outra ótima faixa.

Burning Sun, outra com potencial para single, é hermética, veloz e bela. Alterna vocal agressivo e melódico. O refrão em coro lembra os melhores anos da filandesa banda de power metal Nightwish. Belos solos de guitarra.


Waiting For The Thunder é outra ótima faixa. Apesar de muito recente, já tenho uma forte estória pessoal com ela. Marcante. Simples e forte, lembra o Helloween de Better Than Raw. Uma daquelas fáceis de se escutar por diversas vezes seguidas.

Após uma sequência de seis músicas boas e pesadas, a balada Hold Me In Your Arms dá uma desacelerada no ritmo. Começa bela, prometendo mais uma bonita balada na voz de Deris, porém vem com um refrão bem entediante. Lembra uma daquelas melodias new age que bandas de rock progressivo como o Yes fizeram no início da década de 1990. Chata.

A sequência, Wanna Be God, também inspirada no início da década de 1990, vem com arranjos tribais no estilo world music de Peter Gabriel. Não é uma linda canção, mas é menos entediante que a anterior. Serve de ponte para a faixa-título que segue.

Straight Out Of Hell, a faixa-título, tinha tudo para ser a melhor do álbum. Começa furiosa, agressiva, soando como o Judas Priest de Painkiller, mas que infelizmente desemboca num refrão insosso. De qualquer forma, pesada e boa.


Asshole traz um pouco do velho bom humor da banda. Letra e melodia despojadas. Não chega a ser uma grande música, mas dá o seu recado.

Years não chega a ser ótima, mas é uma daquelas que você se acostuma e até curte com o tempo. Lembra um pouco a sonoridade das músicas menos complexas de The Time of The Oath, apesar dos arranjos de bateria não serem nada simples.

Make Fire Catch The Fly é outro power metal clássico. Veloz, técnica, com mudança de clima, dinâmica e agressiva. Cola no ouvido com facilidade.

O álbum se encerra com Church Breaks Down. Complexa e veloz. Não está entre as mais fáceis de se ouvir no álbum, mas, por isso mesmo, é uma das que merece mais atenção.



A versão CD Premium vêm com os bônus:  Another Shot Of Life, Burning Sun (Hammond Version) e No Eternity. Todas muito boas


Michael Weikath definiu bem seu último trabalho¹:

"Straight Out of Hell é o desenvolvimento consequente dos dois últimos álbuns. As novas canções são uma continuação da direção de 7 Sinners, só que menos "doom" e notavelmente mais positivas. Essas canções vão agradar até ao ouvido mais preguiçoso".

Enfim, se não chega a ser uma obra-prima, pode-se dizer que é um disco muito agradável. Para mim, o melhor desde Better Than Raw, e candidato a um dos melhores de 2013.

Grande abraço a todos e "Live now! Say it loud!",

Filipe.

Fonte:
¹ http://pt.wikipedia.org/wiki/Straight_Out_of_Hell

domingo, 30 de dezembro de 2012

Meus favoritos de 2012

Olá, pessoal!

Final de ano chegando e nada melhor para finalizar o blog do que aquelas velhas, chatas e injustas listas de "melhores do ano".

Li um número considerável de livros, porém nada lançado em 2012, logo não farei um lista de melhore livros do ano.

Fui pouco ao cinema, mas gostei de praticamente tudo o que assisti: Tintim e o Segredo do Licorne, Os Vingadores, Prometheus, A Era do Gelo 4, Para Roma com Amor, O Espetacular Homem-Aranha, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge e O Hobbit. O terceiro filme da trilogia do Homem-Morcego é surpreendente na forma como o clima de policial-drama nos faz esquecer por instantes que se trata de uma estória de super-heróis mascarados com a velha e batida luta do bem contra o mal. Tintim é a melhor e mais fiel adaptação em animação que assisti dos quadrinhos para o cinema. Para Roma com Amor está longe de ser o melhor filme de Woody Allen, mas me fez morrer de rir no cinema. O Hobbit tornou o livro mais simples de Tolkien em um épico com a cara e a seriedade de O Senhor dos Anéis.

Fica a nota lamentável sobre o prometido Asterix e Obelix A Serviço de Sua Majestade que infelizmente não foi lançado no Brasil.

Mas é de música que este blog se alimenta principalmente e é sobre meus dez álbuns favoritos de 2012 que vamos falar.

Rush - Clockwork Angels. 2012 foi definitivamente o ano do Rush. O trio canadense, que finalmente foi aceito no Rock & Roll Hall of Fame, lançou um excelente álbum que na semana de estréia chegou ao segundo lugar na Billboard. São doze músicas fantásticas, com destaque para The Wreckers, Headlong Flight e The Garden. Clockwork Angels nos valeu esse texto em 7 de junho de 2012.

KISS - Monster. Os quatro mascarados voltaram em 2012 com o bom e pesado Monster. Não é tão melódico quanto o anterior Sonic Boom, porém dispensa as baladas e vem com o bom e velho hard rock da banda. Destaque para o single Hell or Hallelujah, para a ótima Wall of Sound e para Outta This World, contribuição do "novato" Tommy Thayer. Monster nos permitiu esse texto em 2 de novembro de 2012.

Van Halen- A Different Kind of Truth. O disco que marca a volta do vocalista David Lee Roth ao =VH= é simplesmente formidável. Para mim o melhor disco do ano e possivelmente um dos melhores da história da banda. Repete velhas fórmulas, porém sempre de forma inspirada. Destaque para os singles Tattoo e She's the Woman, e para a ótima You and Your Blues. A Different Kind of Truth nos rendeu esse texto em 28 de fevereiro de 2012.

Gojira - L' Enfant Sauvage. A banda francesa de progressive death metal que já havia conquistado seu lugar no coração dos metalheads com alguns bons discos, finalmente vem com uma incrível e ensurdecedora obra-prima do estilo. Estranhamente melódico, com a textura e a violência corretas para o fãs de metal extremo. Destaques para Explosia, The Axe e para a faixa-título.

Neil Young and Crazy Horse - Psychedelic Pill. O grande Neil Young havia prometido no início do ano o lançamento de dois álbuns ainda em 2012. Prometeu e cumpriu. Apareceu  na mídia com o bem comentado e aceito "Americana", mas foi com Psychedelic Pill que o velho canadense voltou em sua antiga forma. São oito boas músicas, com destaque para Driftin' Back que se tornaria um clássico se tivesse sete ao invés dos arrastados VINTE E SETE minutos de duração. As boas Ramada Inn e Walk Like a Giant também são grandes, com mais de 16 minutos cada. As de menor duração são bonitas e marcantes logo à primeira audição. Grande disco.

Down - Down IV, Part 1 - The Purple (EP). Não espere do Down um novo Pantera. São sonoridades bem diferentes, porém a atual banda do excelente vocalista Phil Anselmo é também incrivelmente competente. Com seis boas canções e trinta e três minutos de duração, tempo normal para discos lançados na década de 1970, o novo do Down é considerado um EP nesta era digital. Um excelente EP, diga-se de passagem. Outro trabalho marcante à primeira audição.

Prong - Carved Into Stone. O virtuoso trio nova-iorquino de thrash e industrial metal lançou um dos melhores discos do estilo em 2012. Carved Into Stoned soa dinâmico e técnico sem perder fúria e peso, provando mais uma vez que o Prong mereceria um atenção maior da mídia especializada. Destaque para as faixas Eternal Heat, List of Grievances e Carved Into Stone.

Soundgarden - King Animal. Após longa pausa, um dos principais representantes da geração Seattle do início dos anos 1990, o Soundgarden, voltou à atividade com seu vocalista Chris Cornell. E voltou em grande estilo. King Animal está em quase todas as listas que vi sobre melhores álbuns de 2012. Merecidamente. Traz de volta a velha sonoridade hora agressiva hora arrastada, porém sempre forte, melódica e pesada. O bonito e estridente timbre de Cornell continua dando o brilho e característica marcantes do grupo. Destaque para Been Away Too Long e Blood on the Valley Floor.

Lamb of God - Resolution. Outro álbum que aparece em grande parte das listas de melhores de 2012 que li.  Brutal e veloz, Resolution é um dos discos mais maduros do quinteto americano de Groove e Metalcore. Lamb of God, juntamente com Gojira, Trivium e Mastodon, cada vez mais se firma como a cara do metal atual. Destaque para as faixas Desolution, Ghost Walking e The Undertow.

Testament - Dark Roots of Earth. A clássica e aclamada banda de metal volta mais pesada do que nunca no seu recente Dark Roots of Earth. Thrash metal tradicional e de qualidade, com riffs velozes e refrões empolgantes. Muito bom. Destaque para Rise Up, Native Blood e Dark Roots of Earth.

Enfim, esses são meus filmes e discos favoritos de 2012. Quais são os seus?

Que venha muito mais em 2013.

Grande abraço a todos e feliz ano novo!

Filipe.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

KISS Monster Tour - Rio de Janeiro - 18/11/2012

Olá, pessoal!

Ontem à noite, o Rio de Janeiro recebeu mais uma vez os célebres mascarados do KISS. Desta vez na divulgação do novo álbum Monster.

Após abertura do Viper, banda que não consegui ver por estar comprando minha linda camisa e cerveja, pontualmente às 21h, as luzes se apagaram, a cortina com o logotipo da banda cobriu o palco e os famosos dizeres de abertura - "All right, KISS fans! You wanted the best, you got the best! The hottest band in the world... KISS" - já acendem o público de nove mil pessoas no HSBC Arena. 

Sob efeito de fogos e explosões, a cortina cai e uma plataforma aterrisa com Gene Simmons, Paul Stanley e Tommy Thayer ao som da sensacional e clássica Detroit Rock City. Ao fundo, já esmurrando a bateria com energia, o competente Eric Singer.

Apesar das vozes do público em uníssono e da emoção de alguns fãs, o início do show foi frio, cumprindo protocolo, cheio dos velhos efeitos ensaiados de costume da banda. Era como um excelente filme, porém repetido.

A sensação de quase frieza permaneceu pelas músicas seguintes - Shout It Out Loud e Calling Dr. Love - até que Hell or Hallelujah, primeiro single do álbum que dá nome à turnê, mostrou um Paul Stanley mais solto. O bom e velho Starchild pulava e cantava como um garoto.

A sequência vem com Wall of Sound, outra boa canção de Monster, desta vez na voz altissonante e trovejante do Demon Gene Simmons.

Mestres do entretenimento e do rock and roll, ganhavam o público enquanto o público os ganhava. Gene Simmons e Paul Stanley como sempre carismáticos e irrepreensíveis. Ninguém no show business consegue fazer um espetáculo tão bem ensaiado parecer tão espontâneo, informal e selvagem.

E é de forma selvagem que Gene emenda sua voz no clássico Hotter Than Hell, com direito ao tradicional número do cuspidor de fogo. Gosto de Hotter Than Hell, mas foi impossível não pensar na excelente Firehouse no momento circense de Simmons. Fez falta.

Com a audiência solta e cantando a plenos pulmões, outro clássico levantou os cariocas: I Love It Loud

Com talento, personalidade e presença, os novos integrantes, Tommy Thayer e Eric Singer, cada vez mais familiarizados com a banda, conseguiram o respeito e o carinho dos fãs. Inclusive dos saudosos de Ace Frehley e Peter Criss. E foi dessa forma que o guitarrista cantou a ótima Outta This World, uma de suas contribuições para Monster, e emendou num divertido solo em dueto com Eric Singer, sob uma série de pirotecnias. Grande momento.

Outro solo veio na continuidade, desta vez, do baixista Gene Simmons, com sua famosa introdução para o clássico God of Thunder. Esmurrando o baixo, cuspindo sangue e sendo alçado de forma ágil à uma plataforma no topo do palco, Gene Simmons, assim como o velho Alice Cooper, consegue se repetir sem enjoar. Incrível!

A faixa-título do álbum Psycho Circus, responsável em 1996 pela volta da formação original e das caras pintadas, foi um dos melhores momentos da noite, com Paul Stanley berrando o refrão junto ao ensandecido  público e distribuindo caretas e palhetas a torto e a direito.

A execução de War Machine foi pra mim a grande surpresa da noite. Boa surpresa, por sinal.

Love Gun vem em seguida com o famoso voo de tirolesa de Stanley sobre o público, cantando ao fundo do ginásio num palco montado sobre a mesa de som. Outro número repetido que não cansa a galera!

Ao voltar na tirolesa para o palco principal, Paul Stanley faz um curto solo de guitarra, chamando o Rio de Janeiro a cantar com ele a introdução de Black Diamond. É a vez da voz de Eric Singer brilhar. Fim do setlist principal com uma de minhas canções preferidas do KISS.

Após breve intervalo, o grupo retorna ao palco para o Bis. 

Com os clássicos Lick It Up, I Was Made For Lovin' You e Rock and Roll All Nite, esta última sob a famosa chuva de papéis, a banda encerraria após uma hora e meia, com gosto de quero mais, sua passagem pela Cidade Maravilhosa.

Enfim, mais um grande show da banda mais quente do mundo!

Grande abraço a todos, "party everyday".

 Filipe.





sexta-feira, 2 de novembro de 2012

KISS Monster

Olá, pessoal!

Ao final de outubro, Monster, o vigésimo álbum de estúdio do KISS, foi lançado no Brasil.


Com uma bonito encarte interno, porém uma capa sem graça, parecendo mais uma dessas montagens para papel de parede de computador, o disco abre com a acelerada, direta e pegajosa Hell Or Hallelujah, primeiro single do álbum. Já havia sido lançada antes do lançamento de Monster e já constava na lista das mais tocadas. Devo isso porém mais à força da banda que a da própria canção em si. Paul Stanley mostra ainda a velha energia em estúdio.

Wall Of Sound, com vocal de Gene Simmons, é uma música mais forte, melódica e bem elaborada. Uma das melhores do álbum.


Freak, Back To The Stone Ages e Shout Mercy são uma sequência de músicas diretas e fáceis, todas com o "selo KISS" de rock and roll.


Long Way Down e Eat Your Heart Out são mais melódicas e lembram o KISS do penúltimo álbum Sonic Boom. O bom e velho iê iê iê.


The Devil Is Me é a cara do Demon Gene Simmons. Cínica e colérica. Soa pesada e intensa como canções do quilate de War Machine do clássico Creatures of the Night.


Outta This World e All For The Love Of Rock & Roll são cantadas respectivamente por Tommy Thayer e Eric Singer, os "novos" integrantes do grupo. Assim como no anterior Sonic Boom, com When Lightning Strikes e All For The Glory, os dois fazem bonito, sendo que Thayer conseguiu escrever as melhores canções dos dois álbuns.

Take Me Down Below traz a velha fórmula de vocal alto e alternado - Shout It Loud, Stand, etc. - entre Simmons e Stanley. Boa música.


Last Chance, canção de encerramento, é possivelmente a menos inspirada música do trabalho. Cumpre, porém, o mesmo propósito das outras: divertir.


Resumindo, Monster vem com a velha bagagem rock & roll e a eterna energia. Se não chega a ser ótimo, como seu anterior, também não decepciona os velhos o novos fãs.


Vejamos como funcionará ao vivo em 18/11/2012 aqui no Rio de Janeiro. Ansioso!

Grande abraço a todos e "Stay down!"

Filipe.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Viper no Teatro Rival


Olá, pessoal!

Na última terça-feira, 10/7/2012, a banda brasileira de heavy metal Viper, fez no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, mais um show de sua turnê comemorativa pelos 20 anos da banda.


Juntamente com André Matos, o vocalista original que sairia para formar o Angra, a banda excursiona apresentando seus dois primeiros álbuns na íntegra: Soldiers of Fortune e Theatre of Fate.

Ingressos esgotados, o que não é grande surpresa visto o pouco espaço do Teatro Rival, performance convincente e público caloroso fizeram do show uma noite para deixar saudade.

Como de se esperar, a banda começa com as canções de Soldiers of Fortune, e, entre um clássico e outro, André Matos conta um pouco da história da banda e do disco. A execução é boa e a vibração é enorme.

Ao fim de Law of the Sword, a banda faz um intervalo embalado por um divertido vídeo mostrando os integrantes contando a história de seus dois primeiros trabalhos e de casos inusitados, como o incêndio na cortina de um teatro causado por uma tocha carregada pelo vocalista.


A banda retornaria ao palco para a segunda parte do show, a aguardada execução de sua obra-prima, Theatre of Fate. Dessa vez a banda é mais exigida, pois é reconhecidamente notória a evolução musical de um disco para o outro. Porém, como na primeira parte do show, execução e vibração ótimas.

Rebel Maniac, canção de Evolution, o primeiro álbum sem André Matos, seria o único bis da noite, apesar dos insistentes pedidos do público carioca pela faixa-título.

Além das músicas, o show foi marcado pelos longos discursos de André Matos e pela engraçada performance do baixista Pit Passarell, que estava "muito doido" e presenteou a audiência com um pitoresco mosh.

Memorável! Nostalgia pura!

Grande abraço a "everybody, everybody",

Filipe.

domingo, 1 de julho de 2012

"Heavy Metal: A História Completa" de Ian Christie



Olá, pessoal!


Acabei de ler um dos livros mais interessantes sobre a história do mais maldito dos gêneros musicais, Heavy Metal: A História Completa do jornalista e músico Ian Chirste.


O livro, com o sugestivo título original Sound of the Beast - The complete headbanging history of Heavy Metal, é provavelmente o relato mais completo sobre o assunto que li na vida, desde o momento seminal do estilo com o lançamento do álbum homônimo do Black Sabbath até o ano de 2003, quando o livro foi lançado.


Passa pela criação e fortificação do movimento The New Wave of British Heavy Metal, NWOBH, quando bandas como Judas Priest e Iron Maiden pegaram o som do Black Sabbath, aceleraram, injetaram mais energia e adicionaram complexidade com o dobrada de guitarras.


Prossegue pela invasão do movimento europeu aos Estados Unidos, onde se fortificou com nomes como Van Halen, Kiss, Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica, esta última sendo justamente citada em excesso durante todo o livro. A história do heavy metal se confunde com a história da maior e mais importante banda do gênero, seja no aspecto musical, com a solidificação do thrash metal, seja no comercial, com os milhões de discos vendidos e os vários prêmios recebidos.


Está presente no livro o choque do movimento black metal, desde seu início teatral com Venom, Mercyful Fate e Hellhammer no início da década de 1980 até a incorporação de sons góticos e fundamentalismo anticristão na Noruega, culminando em assassinatos e famosos incêndios  de igrejas históricas norueguesas no início da década de 1990.


A descrição dos exageradamente opostos glam metal e death metal mostra que heavy metal não é "uma coisa só" como muitos leigos imaginam. Na verdade, o livro apresenta bem a divisão cultural e as rixas formadas dentro de cada um dos inúmeros subgêneros.


As misturas de estilos do heavy metal com o punk hardcore, o funk, o rap e a música eletrônica também são narradas e exemplificadas com bastante cuidado.


A análise dos fatos e do horror causado na direita republicana e nos fundamentalistas religiosos de EUA e Oriente Médio, destampando na terrível caça às bruxas de cabelos compridos, cintos de bala e camisetas pretas, é uma das partes mais importantes do livro. Deveria ser lido por qualquer pessoa, seja ela amante ou não de música pesada.


O texto contém ótimas tiradas, além de diversas listas exemplificando cada um dos subgêneros descritos, traçando paralelos com a situação política e social do mundo e sua influência na música que mais cantou as mazelas da humanidade.


De positivo, além dos detalhes e suas análises sobre os fatos, é incrível a facilidade de Ian Christe em descrever os sons e ritmos com palavras, utilizando-se de comparações e sarcasmo.


De negativo, o fato do texto dar muita atenção ao punk e pouca atenção a bandas indispensáveis como Helloween e Dream Theater e seus seguidores nos movimentos Power Metal e Prog Metal. Além disso, o livro carrega um número enorme de informações o que pode ser tornar sacal para os laicos.


De qualquer forma, indico para todos amantes de boa leitura e, principalmente, de música pesada.


Grande abraço "para os desajustados e os esperançosos",


Filipe.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

RUSH CLOCKWORK ANGELS primeiras impressões

Olá, pessoal!

Pois é, mais uma vez a indústria fonográfica levou uma rasteira e, assim como tantos outros, o aguardado Rush Clockwork Angels vazou na internet a poucos dias de seu lançamento.


E é claro que este fanático pelo power-trio canadense, assim como em 2007 com Snakes & Arrows, não aguentou esperar o lançamento do álbum.

E assim como em 2007, estranhei o som à primeira audição. 

Lembro bem que o pessoal do fã-clube estava muito empolgado com as canções de S&A e eu, no fundo, sentindo uma ponta de decepção com minha banda do coração. Algumas muitas vezes depois, ouvindo com atenção e deixando a música penetrar na alma, Snakes & Arrows se tornou um de meus álbuns favoritos. Simplesmente amo!

Imagino que será assim com Clockwork Angels. Ainda não o compreendi bem, mas tenho certeza que ele ainda terá muito a me oferecer. De qualquer forma, empolgado de cara.

Vamos então, como escrevi no título do texto, às minhas primeiras impressões:

O álbum abre com Caravan, canção que já havia sido lançada previamente, e que faz parte do já lançado Time Machine 2011 Live in Cleveland. Música forte com refrão interessante. Boa canção de abertura.

Segue com BU2B, que assim como a anterior, faz parte de Time Machine 2011 Live in Cleveland. Mais direta que a anterior, não chega a ser uma grande canção, mas também não chega a ser uma canção chata. Chama a atenção a forma pesada como as linhas de guitarra se apresentam.

Clockwork Angels, a faixa-título, vem em seguimento. Com a cozinha absolutamente torta e pesada e a melodia quase toda em tons altos, como nos bons tempos de progressivo, foi o motivo por eu ter me empolgado de cara com o disco. O monstro Neil Peart descendo o braço e virando tudo. Merece atenção redobrada.

O disco prossegue com The Anarchist. Novamente com Peart tocando pesado e com um ótimo riff de Lifeson, parece uma dessas canções hard rock que você ouviu não sabe onde. Chama a atenção a forma que Lee continua cantando. Geddy é realmente o excelente vinho que todos comentam.

O disco continua na linha hard rock com outro bom riff em Carnies. As linhas instrumentais são menos complexas e as melodias mais simples, lembrando alguns momentos do álbum Vapor Trails de 2002. A sonoridade de Clockwork Angels, aliás, lembra muito a de Vapor Trails.

Com um violão de doze cordas Lifeson dá a introdução à bela Halo Effect. Uma balada direta, forte e pesada. Tão pesada que pensei duas vezes antes de a classificar como balada.

Esperava de Seven Cities of Gold, tanto pelo nome quanto pela introdução, uma daquelas magistrais obras de rock progressivo. Se minha expectativa se frustrou, já que a canção caminha por outros rumos, posso dizer porém que é uma boa canção. Não chega a ser empolgante, mas é correta, como quase tudo que o Rush faz. Bom riff.


The Wreckers segue a trilha das canções mais simples de Snakes & Arrows, como The Larger Bowl ou Bravest Face. Instrumental menos complexo, melodia com pé no folk e refrão grudento. Tem cara de hit.

Headlong Flight, assim como as duas faixas de abertura, foi lançada previamente na internet. Não sei dizer se é a melhor canção do disco, mas é de cara a mais revigorante. Um deleite ver os três senhores tocando, e muito, com a energia de garotos! Aliás, percebe-se como nunca a influência dos novos talentos do heavy metal e hard rock na musicalidade dos dinossauros canadenses.

A bela, curta e orquestrada BU2B2 faz a ponte para Wish Them Well, outra que lembra também algo de S&A, porém desta vez as mais animadas com cara de hit como Good News First e We Hold On.

O encerramento fica por conta da belíssima The Garden. Violão, orquestração com sintetizadores, melodia sóbria e vocal inspirado fazem de The Garden uma daquelas baladas para fechar álbum com sabor de quero mais.

Enfim, essas foram apenas minhas primeiras impressões. Sei que ainda vou falar muito desta obra com lançamento previsto para 12 de junho. Ótima dica de presente para os namorados de bom gosto!

Grande abraço a todos e "In a world where I fell so small, I can't stop thinking big",

Filipe.